
A
maior dificuldade do treino da musculatura do assoalho pélvico (MAP) é fazer com que a pessoa perceba o exercício
que está fazendo: se está contraindo a musculatura certa (ou seja, não pernas ou barriga, mas a MAP apenas), se está contraindo (apertando o músculo)
com força suficiente e se está sabendo relaxar (soltar o músculo) de modo suficiente. um aparelho que pode (ou não!) auxiliar nessa aprendizagem é o chamado biofeedback.
O termo significa literalmente fornecer um retorno biológico para a pessoa que está treinando, seja ele visual (uma antena que se move ou uma imagem que se mexe numa tela), sonoro (um "bip") ou proprioceptivo (uma vibração na pele) toda vez que os músculos do assoalho pélvico contraem e/ou relaxam, permitindo que se perceba não apenas quando o músculo mexe, mas também o quanto de força é exercida durante o exercício. Assim, o dispositivo de biofeedback mais comum é um bom espelho posicionado na frente da região perineal, de modo que a pessoa possa acompanhar os movimentos (contração e relaxamento) de seu assoalho pélvico em tempo real.
Lembre-se: sistemas de biofeedback não são fisioterapia pélvica, mais um tipo de "brinquedo" que pode auxiliar sua fisioterapeuta.
O treinamento pode ser realizado com instrumentos que monitoram a contração muscular: sondas anatômicas, anais ou vaginais que se movem ou emitem sons, mostrando a contração da MAP, por exemplo, numa tela de computador.
Utilizando sinais sonoros (bipes) ou visuais (gráficos ou observação direta), permitem que a pessoa perceba o grau da força realizada durante cada contração, seja em sua magnitude ou duração.
Outra forma interessante de biofeedback que retorna informação sobre a contração da MAP são os cones vaginais, que garantem que a esta contração seja eficaz, permitindo o fortalecimento progressivo.
A
maioria dos aparelhos eletrônicos de biofeedback contam com uma sonda,
normalmente inflável, que deve
ser introduzida no canal vaginal. No momento em que a MAP contrai ao redor
desta sonda, a pressão é capturada por uma placa eletrônica e processada por
computador. O resultado é um gráfico
que mostra exatamente a força, o tempo e o tipo da contração (crescente, decrescente
ou constante). Sinais sonoros também podem ser emitidos quando, por exemplo,
a força de contração atingir os níveis desejados durante o treinamento.
Na prática a mulher vai contrair a MAP e acompanhar no monitor o desenrolar do gráfico: contornar montanhas (o que significa contrair a MAP de forma crescente para a subida e decrescente para a descida); subir rampas (contrair crescentemente a MAP); etc.
O treino com biofeedback permite que a pessoa visualize seu movimento, permitindo assim um treino mais divertido. Aplica-se o biofeedback na reabilitação da MAP para ensinar o controle voluntário desta musculatura, ensinar os exercícios que serão utilizados nos programas de fortalecimento e melhorar a coordenação motora do assoalho pélvico.
É importante ressaltar que o treino com o biofeedback não fortalece e nem sequer treina diretamente a musculatura. Como para qualquer outra musculatura do corpo, para que haja fortalecimento eficaz o treino deve ser realizado com carga (peso), ou seja, através de treinamento manual (com as mãos do terapeuta resistindo à contração) ou com cones vaginais. A função do biofeedback e da eletroterapia são de ensinar a contração para as mulheres incapazes de contrair a MAP satisfatoriamente, e não de fortalecer.
Praticamente não existem contraindicações, o método é divertido e não oferece desconforto.
Após aprender a contrair com o biofeedback, a mulher tem mais facilidade de manter sua rotina diária e domiciliar de exercícios simples para a MAP.
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