Perineo - Incontinencia Urinaria
 

O que é incontinência urinária?

A International Continence Society define incontinência urinária como uma condição onde a perda involuntária de urina causa algum problema higiênico ou social.

Sua incidência é bastante elevada: mais de 50% das mulheres em todo o mundo, entre 20 a 80 anos, apresentam algum tipo de incontinência urinária. Quanto não tratada a incontinência tende a aumentar com o passar do tempo. Mulheres que passaram por partos (independente do tipo) estão mais sujeitas, assim como as com idade superior a 50 anos.

A incontinência urinária é o tipo mais comum de problema ocasionado pela fraqueza da musculatura do assoalho pélvico (MAP). Por este motivo essa é também a razão mais comum para a prescrição de exercícios de fortalecimento desta musculatura.



Quais os tipos de incontinência urinária?

A maioria dos casos de incontinência urinária se enquadra em um dos três subtipos descritos seguir: incontinência de esforço, bexiga hiperativa ou incontinência mista. As duas primeiras são as mais comuns em mulheres:


INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO OU DE STRESS

É caracterizada pela perda involuntária de urina durante o aumento da pressão intraabdominal, em atividades como rir, tossir ou durante algum exercício físico. É o tipo mais comum de incontinência.

É raro encontrar uma mãe com mais de 50 anos que não tenha ao menos uma incontinência de esforço em estágio inicial.

A incontinência urinária de esforço e os prolapsos genitais são problemas relacionados à fraqueza da MAP. A fraqueza desta musculatura, que sustenta os órgãos contidos na cavidade pélvica (útero, ovários, bexiga, vagina, reto...) faz com que esses órgãos percam sua sustentação natural e acabem "descendo". Com o tempo, se medidas corretivas não forem tomadas, os órgãos vão projetando-se pelo canal vaginal, onde a resistência é menor, ocasionando chamado prolapso genital.

Mas, qual a relação entre o suporte dos órgãos pélvicos e a incontinência de esforço?

Acontece que a uretra é composta de tecidos macios, quase que como uma panqueca: se ela não estiver apoiada sobre uma superfície firme, a luz (cavidade do canal) se abre, como em uma mangueira muito mole. Esta superfície firme que sustenta a uretra, evitando que ela se abra é a MAP. Portanto, quando a MAP está enfraquecida ou lesionada, ela não sustenta corretamente nem os órgãos nem a uretra, deixando-a desapoiada (especialmente sua parede inferior, que abaixa perdendo o contato com a parede superior, abrindo sua luz e permitindo o fluxo contínuo da urina).

Já nos caso onde a MAP não está totalmente lesionada, mas apenas enfraquecida, ela vai ceder apenas durante os esforços (rir, tossir, pular, levantar peso), quando os órgãos são empurrados para baixo, momento no qual há algum vasamento de urina.

Ou seja: a uretra só vai estar desapoiada nos momentos de esforço, e só nestes momentos haverá a perda de urina. Logo que o esforço é cessado a uretra volta à sua altura normal e a continência é novamente restaurada.

Como o prolapso genital é causado por uma falha de sustentação da MAP, boa parte das mulheres que apresentam prolapso podem vir a apresentar também incontinência urinária.


BEXIGA HIPERATIVA

O sintoma mais comum é a urgência urinária, motivo pelo qual pode ser conhecida como incontinência de urgência. Há perda involuntária de urina, precedida por uma forte urgência miccional (ou seja, de uma vontade imensa e repentina de urinar), esteja ou não a bexiga cheia.

O termo bexiga hiperativa (do inglês, overactive bladder) foi adotado para descrever a síndrome que inclui não só incontinência de urgência, mas apuração, freqüência e noctúria (incontinência durante o sono).

Exercícios para a MAP e tratamentos comportamentais têm mostrado-se eficazes na redução destes sintomas, mas deve-se evitar fortalecer A MAP nestes casos, sob o risco de se causar um refluxo vésico-ureteral (quando a urina sobe da bexiga devolta para os ureteres, com risco de infecção renal). Na maior parte dos casos a eletroterapia tem mostrado bons resultados.

Nunca comece a fazer exercícios para o assoalho pélvico por conta própria, sem a avaliação e orientação de um fisioterapeuta especialista.


INCONTINÊNCIA URINÁRIA MISTA

O termo é atribuído à mulher que sofre de incontinência urinária de esforço associada à bexiga hiperativa. Para estas mulheres, é importante identificar o sintoma mais limitante e, quase sempre, tratar a hiperatividade da bexiga em primeiro lugar.



Tratamento: cirúrgico ou conservador?

O tratamento da incontinência urinária pode ser feito cirurgicamente ou de modo conservador (não cirúrgico).

Existe uma série de técnicas cirúrgicas para tentar corrigir a incontinência urinária. Porém, durante décadas de prática, existem poucos temas dentro da cirurgia, mais controversos que este tipo de cirurgias: os resultados ainda vem deixando a desejar.

Grande parte desta controvérsia deve-se às altas taxas de reincidência dos casos após pouco tempo de pós-cirúrgico. Estudos comparando as técnicas mostram que o problema pode reaparecer em até 60% dos casos. Apenas nos últimos dez anos é que os avanços científicos vem possibilitando, através da melhor compreensão da biomecânica do assoalho pélvico, um melhor entendimento das causas da incontinência urinária. É este melhor entendimento que vai permitir o aumento na acurácia das cirurgias corretivas. Novos procedimentos vem sendo testados, e os resultados têm sido animadores.



Tratamento conservador: exercícios para a MAP

Se aumento da força da MAP melhora o suporte da uretra, e a incontinência de esforço é causada pela falha da MAP em sustentar a uretra, o tratamento conservador consiste exatamente em fortalecer esta musculatura.

Os exercícios para a MAP, que podem ser realizados de forma livre, com resistência manual do terapeuta ou com cones vaginais, são eficazes na maioria dos casos, desde que realizados com adequada suficiência - e que esta incontinência seja causada realmente por fraqueza da MAP.

Praticamente 50 anos de estudos vem comprovando a eficiência dos exercícios, inclusive com cones vaginais, neste tipo de tratamento.

Com os exercícios, especialmente os de fortalecimento (como os com cones vaginais) a regressão da incontinência pode ser de até 100%, de acordo com o estágio no qual esta se encontra e com a causa do problema. Vale ressaltar que no caso de incontinências causadas pelo rompimentos de ligamentos ou fáscias (elásticos biológicos) do assoalho pélvico durante, por exemplo, o parto, a regressão não cirúrgica é praticamente inviável.


PREVENIR É SEMPRE O MELHOR REMÉDIO!

Quando a incontinência urinária de esforço é diagnosticada logo no início, esta pode ser regredida com exercícios para a MAP, sem necessidade de cirurgia. Os resultados são excelentes.

No geral não existe um acontecimento que por si só enfraqueça a MAP de uma só vez. Pelo contrário: são diversos fatores que, durante toda a vida normal da mulher, fazem com que esta musculatura enfraqueça. Durante todo o dia a MAP sustenta o peso dos órgãos pélvicos, e sofre ainda maiores pressões quando a pressão intra-abdominal aumenta, no espirrar, tossir, ou ao fazer algum esforço físico.

Durante toda a gestação este esforço da MAP é ainda maior ao sustentar o bebê e os anexos embrionários, sem mencionar a agressão do parto. Ainda, há uma considerável diminuição na força desta musculatura durante a menopausa, quando os níveis de estrogênio (hormônio feminino) caem drasticamente: a MAP depende bastante deste hormônio.

Porém, se a mulher exercitar sua MAP regularmente, é possível mantê-la suficientemente para aguentar as exigências diárias sobre o assoalho pélvico: com força suficiente, a MAP pode contrair empurrando os órgãos para cima evitando sobrecarga e consequente lesão das fáscias e ligamentos que os sustentam.

É possível assim, prevenir problemas tão desagradáveis quanto as incontinências. Problemas que, se não cuidados, evoluem até graus críticos que exigem cirurgia corretiva, de durabilidade discutida.

Mas quem vai querer uma cirurgia se é possível evitar o trantorno com simples exercícios, não é mesmo?


Você acha que tem incontinência urinária? Então procure um médico ginecologista e converse a respeito de fisioterapia para o assoalho pélvico!