Perineo - Editorial
 

Em defesa da prevenção

por Gustavo Latorre
Edição Geral

Em novembro de 1998 entravam no ar as primeiras páginas de Perineo: Exercícios para a Musculatura do Assoalho Pélvico. Trazendo como diretriz a prevenção - um novo enfoque para esta musculatura tão fundamental e tão negligenciada na vida de qualquer mulher. Abordando temas como incontinênca urinária, disfunções sexuais e prolapsos genitais, sempre com foco na prevenção e no tratamento conservador com fisioterapia pélvica, o portal foi iniciado abordando exclusivamente o assoalho pélvico feminino.

Pioneiro por diversas situações, popularizamos o termo "MAP" para musculatura do assoalho pélvico, de modo que hoje a sigla é popular. Criamos o termo e o método neopompoarismo (leia a seguir) para popularizar os exercícios da MAP com enfoque na saúde sexual. Em pouco tempo o portal alcançou o status de maior conteúdo em lingua portuguesa para o tema, sendo ranqueado pelo sistema Google, desde 2008, em primeiro lugar para a palavra-chave perineo.

Com mais de 2.700 visitas diárias, além do Brasil recebemos semanalmente dúvidas de mulheres de países Angola, Guiné Bissau, Moçambique, Cabo Verde e Portugal. Nosso objetivo vem sendo o de fornecer informação atual sobre temas relacionados ao assoalho pélvico ao público leigo, em linguagem popular (o que torna o desafio ainda maior), a partir de conhecimento científico de vanguarda.

Para tanto o conteúdo do portal foi desenvolvido a partir de publicações dos mais importantes periódicos científicos mundiais (Como o Green Journal do American College of Obstetrics and Ginaecology; American Journal of Obstetrics and Ginaecology; British Journal of Obstetrics and Ginaecology; British Journal of Urology; Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, etc).Na velocidade da internet, o conteúdo está em constante atualização.

A relação entre o desconhecido assoalho pélvico e epidemia camuflada de problemas de saúde pélvica

Problemas como Incontinência urinária, incontinência anorretal, constipação, prolapsos genitais, dor sexual, vaginismo, disfunção erétil, orgasmo precoce, etc, afligem mais de metade de toda a população mundial, numa verdadeira "epidemia camuflada", nas palavras do célebre pesquisador Dr. John DeLancey. Mas curiosamente não têm a atenção que merecem, tanto pelo sistema de saúde em geral quanto pela própria sociedade, à raras exceções.

Há forte evidência científica de que as incontinências urinárias e anorretais, os prolapsos genitais e boa parte das disfunções sexuais (especialmente o chamado alargamento do canal vaginal com consequente diminuição da sensação de pressão intravaginal durante a relação) estão relacionadas diretamente ao enfraquecimento da musculatura do assoalho pélvico (MAP). Em muitos casos, esta relação é causal.

Por outro lado, há mais de setenta anos são conhecidos os exercícios para fortalecimento da MAP. É sólido também o conhecimento de que qualquer músculo pode ser fotalecido, de onde emerge automaticamente a questão: se há problemas causados pelo enfraquecimento de uma musculatura que pode ser fortalecida por que não mantê-la forte e evitar o surgiento dos problemas?

Todos pela prevenção

Nosso objetivo, desde o primeiro momento foi chamar a atenção pública para a aplicação preventiva dos exercícios para a MAP, no contrafluxo da literatura de até então, que abordavam os exercícios da MAP apenas como método curativo, ou seja, para a reabilitação de transtornos já instalados.

A surpresa de Kegel. E nossa também!

Os exercícios para a MAP foram criados no final da décade de 1940 pelo médico e pesquisador estadunidense Dr. Arnold Kegel, para o tratamento de incontinência urinária pós-parto. Curiosamente algumas pacientes relataram ao Dr. Kegel que os exercícios melhoram sua vida sexual, particularmente melhorando ou até permitindo o orgasmo (que algumas delas desconheciam antes do treinamento). Kegel inaugurava os dois pilares da fisioterapia pélvica moderna: a relação entre a MAP e as funções urinária e sexual.

Quando lançamos o site no ar apenas um quarto do material era relacionado à função sexual. Em poucas semanas começaram os e-mails com dúvidas e, curiosamente, nove em cada dez eram relacionados à sexualidade: porque a primeira relação sexual doi e sangra; porque escapa ar do canal vaginal durante a relação; como fazer para melhorar a sensação de pressão durante o sexo; etc.

E guiados pelos anseios do público o portal foi sendo ampliado, e hoje mais da metade de todo o material é relacionado à função sexual feminina e masculina, seus problemas, como tratá-los e como melhorar o desempenho de um modo geral. Reflexo, possivelmente, do anseio atual da população pela melhoria da qualidade de vida sexual, ao ampliar o conceito do ato sexual em si. Sexo hoje não mais objetiva procriação (quantas vezes fazemos sexo com fins puramente reprodutivos?), mas como um evento social, possivelmente o jeito mais intenso de duas pessoas estarem juntas (quantas vezes fazemos com fins emocionais?).

Melhoria da função sexual como veículo de disseminação dos exercícios para a MAP

Este anseio da população pela melhoria do desempenho sexual era a deixa que precisávamos para a disseminação dos exercícios para MAP de forma preventiva. Convencer as pessoas a exercitarem sua MAP para evitar prolapsos genitais ou incontinência urinária nunca surtiu muito efeito, mas ao falar sobre os exercícios como forma de melhorar o desempenho sexual surte efeito instantâneo.

Ao contrário do oriente, aqui no ocidente a pressão religiosa e social sobre o ato sexual é grande o suficiente para que praticamente todos nós carreguemos culpa suiciente, camuflada de uma vergonha exagerada sem precedentes, para causar boa parte das disfunções sexuais existentes. No oriente os exercícios para MAP, com intuito de melhoria da vida sexual, são passados de mãe para filha como parte do dote de habilidades. Nestes exercícios, lá conhecidos como pompoarismo, residia o caminho para a popularização dos exercícios da MAP.

Neopompoarismo, um veículo para a popularização dos exercícios para a MAP

Cabia agora adaptar o pompoarismo à realidade do ocidente. Ao estudarmos os fundamentos da técnicas nos deparamos com uma série de imprecisões, especialmente anatômicas e biomecânicas, fruto provavelmente do barramento religiso do estudo de anatomia por boa parte da cultura oriental. Iniciadmos, deste forma, a engenharia reversa do pompoarismo, descontruindo-o, e contruindo uma nova técnica baseada nos preceitos modernos de anatomia, cinesiologia e biomecânica (as ciências do movimento humano).

Entravam no ar, em meados de 2002, as primeiras páginas sobre o NEOPOMPOARISMO, termo criado por nós, sobre a técnica nova, moldada sobre uma reconstrução do pompoarismo tradicional a partir dos novos conceitos científicos. Inicialmente com nove manobras realizadas a partir de cinco movimentos básicos, os exercícios voltados ao público feminino em geral foram um sucesso imediato.

As implementaões subsequentes, com base na contribuição de valor imensurável por parte de fisioterapeutas pélvicos que adotaram as técnicas em seus consultórios, e pelas próprias leitoras que retornavam dúvidas e sugestões, o neopompoarismo hoje se tornou um método de ensino de exercícios de alta intensidade para a MAP, adotado por fisioterapeutas dos quatro cantos do país.

Popularizando os cones vaginais e o ben wa

O site não esconde nossa postura, basada em evidência, de defesa da cinesioterapia resistida (treinamento através de exercícios físicos com carga) auxiliada por cones vaginais, ben wa, sistemas de biofeedback ou pelas mãos do terapeuta, como melhor forma para o fortalecimento eficiente da MAP através do incremento na força e coordenação motora.

Tanto os cones vaginais quanto o ben Wa são dispositivos bastante simples e baratos, porém infelizmente ainda pouco difundidos em nossa cultura, em virtude talvez da baixa procura da porção da população feminina que ainda desconhece as vantagens do fortalecimento dos MAP.

Cinesioterapia com Cones Vaginais e Ben Wa: formas baratas, efetivas, pessoais e seguras de exercitar a MAP.

O treinamento completo da MAP consiste em treino de força e de coordenação motora. Para o primeiro são utilizados os cones vaginais, e para o segundo o ben wa. Ambos realizam um trabalho bastante interessante sobre a MAP, podendo ser realizado pela própria mulher, sozinha, no conforto do seu lar, desde que orientada incialmente por um profissional de fisioterapia pélvica.

Para treinar só basta vontade e saber como. Nosso motivo de existência é justamente ensinar. O resto é com você! Que tal começar agora mesmo?

EXERCITE SUA MAP!!!
Conte conosco para o que precisar!